A telemonitorização oferece uma ampla solução de cuidados de saúde virtuais, capaz de servir organizações e pessoas em qualquer lugar. Estes serviços abrangem todo o espectro das necessidades de saúde, das mais simples às mais complexas. São prestados serviços diretos de assistência médica, saúde mental e de opinião médica especializada de forma a oferecer maior conveniência, resultados e valor.

A monitorização das doenças crónicas acompanha pacientes reais, envolvendo os membros com equipas de cuidados médicos e serviços de bem-estar e prevenção. Os pacientes têm acesso a recursos projetados para diagnosticar e tratar novos problemas relacionados à sua saúde, monitorizar e gerir as suas doenças e coordenar cuidados e encaminhamentos, construindo um relacionamento longitudinal focado na saúde com o seu médico de cuidados de saúde primários.

Os programas de comunicação proativos e orientados por dados aumentam a utilização de atendimento virtual e motivam os pacientes a participar ativamente nas ações de saúde recomendadas. Os planos de cuidados e encaminhamentos clínicos são adaptados às metas de saúde do próprio paciente.

Para um acesso conveniente a cuidados de saúde de alta qualidade, milhares de pessoas em todo o mundo já são capazes de resolver as suas questões de saúde através de consultas solicitadas ou agendadas com médicos, abrangendo várias especialidades.

Encontrar um médico, reunir registos clínicos, gerir riscos de saúde e manter o bem-estar, são desafios comuns em todo o mundo. Os serviços de telemedicina permitem que os utilizadores acedam aos melhores especialistas e obtenham orientação essencial para melhor resolver as suas necessidades de saúde.

Quando os pacientes enfrentam situações médicas complexas, os serviços médicos especializados ajudam a tomar as melhores decisões. Os médicos especialistas, para as necessidades específicas de cada caso, analisam o historial clínico, patologias e resultados de exames para confirmar os diagnósticos e as propostas de tratamento.

Com uma plataforma de cuidados virtuais licenciada e abrangente, incluindo dispositivos integrados e serviços de apoio operacional, estes serviços oferecem uma solução única para os prestadores ampliarem os seus serviços de cuidados de saúde virtuais aumentando a satisfação tanto do paciente como do médico, assim como o volume de consultas.

Por exemplo, a tensão arterial (TA) é um dos parâmetros de monitorização mais importantes na clínica médica. A medida adequada da TA é um ponto crucial no diagnóstico e na conduta da hipertensão arterial na prática clínica, em consultórios ou fora deles. A monitorização da TA no domicílio com dispositivos automáticos validados torna-se uma alternativa à monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA), recomendada como o método preferencial de medida da TA fora do consultório na maioria das diretrizes, devido à sua maior precisão, capacidade ímpar de medir a TA noturna, detetando a variabilidade circadiana e parece correlacionar-se melhor com prognóstico. Em contraste com a MAPA, a monitorização da TA no domicílio é bem tolerada, mais facilmente disponível, de menor custo, apresentando também uma associação mais forte com o risco renal e cardiovascular, em comparação com a TA avaliada no consultório. Além disso, pode conferir maior autonomia ao paciente, além de um papel mais ativo no tratamento de sua doença crónica, sendo útil para monitorizar a eficácia do tratamento anti-hipertensivo, melhorando assim o controle da TA, diminuindo a inércia terapêutica.

O estudo TASMINH4, realizado pelo National Institute for Health Research do Reino Unido, publicado no The Lancet, constatou que a automonitorização, com ou sem telemonitorização, quando utilizada por médicos na atenção básica para prescrever medicamentos anti hipertensores para indivíduos com TA não controlada, encontrou níveis de TA sistólica significativamente menores no grupo de intervenção em comparação com a prescrição pautada por medidas feitas no consultório. Os resultados mostraram que a automonitorização com ou sem telemonitorização auxilia a conduta da hipertensão.

O Telescot é um ensaio clínico escocês que incluiu sete estudos sobre a implementação da telemonitorização no contexto da atenção primária para a conduta de longo prazo da hipertensão, diabetes e outras doenças crónicas. Os resultados mostraram um alto índice de aprovação por parte dos pacientes, que consideraram a utilidade desta nova estratégia em conferir-lhes autonomia. Os médicos também consideraram a telemonitorização algo encorajador; no entanto, alguns expressaram críticas às características do software, o que pode denotar obstáculos à ampla implementação da telemonitorização na rotina de cuidados diários.

Espera-se que, no futuro, com o aumento do uso da medicina digital, surjam novas tecnologias, como dispositivos de monitorização de TA de última geração, incluindo smartphones e telemonitorização habilitada para Bluetooth, usando sistemas de monitorização contínua da TA, sem o uso de braçadeiras, que serão capazes de fornecer novas soluções com precisão e validação para o contexto clínico, melhorando a autovigilância de pacientes hipertensos.

Concluindo, a telemonitorização parece ser uma abordagem promissora para a conduta de pacientes, particularmente aqueles de alto risco, produzindo dados precisos e confiáveis, mas necessitando de outros ensaios clínicos randomizados. A relação custo-benefício de cada estratégia em comparação com a outra, os impactos na utilização dos serviços, a aceitação por parte dos profissionais e por parte dos pacientes também são essenciais para permitir recomendações científicas sobre a implementação dessas novas ferramentas no cuidado diário para o diagnóstico e a conduta das doenças crónicas.

Referências bibliográficas

– Merai R, Siegel C, Rakotz M, Basch P, Wright J, Wong B; et al. CDC Grand Rounds: A Public Health Approach to Detect and Control Hypertension (MMWR). Weekly. 2016;65(45):1261-4.

– Hanley J, Pinnock H, Paterson M, McKinstry B. Implementing telemonitoring in primary care: learning from a large qualitative dataset gathered during a series of studies. BMC Fam Pract. 2018;19(1):118.


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